quarta-feira, setembro 24, 2008

Quem ganha com o negócio dos combustíveis?

Depois de ter atingido os quase 150 dólares por barril, para alegria das empresas petroliferas que operam à escala mundial, dos países extractores e exportadores de petróleo e dos que apostaram em transacções finançeiras especulativas nas bolsas que vendem este produto à distancia de vários meses, este desceu para valores de 90 dólares por barril. A ganância de uns levou ao abrandamento do crescimento económico e à retracção do consumo deste produto que se apresentava demasiado caro e que cortava os lucros das actividades económicas que dependiam dele, ou seja, quase todos se viram obrigados a prescindir dos consumos a que estavam habituados para poderem sobreviver economicamente.

Tal como noutros países, também em Portugal se passou o mesmo. Depois de discussões estéreis que criticavam o governo português por não baixar o imposto petrolífero sobre estes produtos e de o taxar ainda com o devido IVA, obrigatório na União Europeia, para todos os produtos comercializados, tudo ficou na mesma. O governo sócretinos aproveitou assim, apesar da diminuição do consumo dos combustíveis em Portugal, o preço em alta destes produtos (Gasolinas, gasóleos, gás e outros combustíveis) para encaixar através o ISP e do IVA mais algum do necessário dinheiro que alimenta as suas campanhas de marketing e propaganda. E que é gasto em negócios que envolvem e obrigam futuros governos a respeitarem os compromissos assumidos com empresas nacionais e estrangeiras nas áreas das telecomunicações e produtos informáticos, por exemplo.

Assim, um dos ganhadores com o preço alto é o governo deste país, que à custa dos consumidores e empresas dependentes dos combustíveis retira proveitos financeiros, prejudicando as economias familiares e empresariais. Não esqueçamos que estes proveitos parecem estar a ser aplicados nas tais acções de propaganda eleitoral, já que o proveito a nível da formação profissional e educacional só será perceptível daqui a cinco ou dez anos. Só nessa altura veremos se foi realmente dinheiro bem aplicado. Mas ao deixar manter o preço dos combustíveis alto e levando à redução do consumo, o governo obtém um segundo benefício, que é o de reduzir o contributo de Portugal para o aumento das emissões de CO2. Em vez de aplicar a impopular e transparente medida de taxar mais os que mais consumem e mais contribuem para o aumento das emissões deste gás, acaba por cobrar a todos da mesma maneira, tendo em conta somente a sua necessidade de mais dinheiro para os orçamentos.

Mas há mais. Outra entidade que benefícia destes preços altos é sem dúvida a GALP, empresa cotada na bolsa, que com mais lucros distribui assim mais dividendos pelos seus accionistas. Mais, a mesma GALP precisa de dinheiro para investir na abertura dos novos poços de petróleo a que está associada no Brasil. Em vez de um aumento de capital em bolsa, basta continuar a cobrar mais enquanto se puder aos papalvos dos consumidores nacionais. Foi também assim que a PT conseguiu dinheiro para se meter no negócio das telecomunicações no Brasil, e noutros sítios. No fim de contas pagar 15 euros só por ter um telefone em casa é um negócio chorudo com que TODOS os nossos GOVERNOS nunca se escandalizaram. É evidente que a BP e a REPSOL não se importam de poder ganhar mais em Portugal do que ganham noutros países, basta-lhes acompanhar as políticas comerciais da GALP.

Já a entidade que regula os preços no sector dos combustíveis, parece que não serve de nada ao povo português e às empresas portuguesas. É como se não existisse, não regula, arrasta-se nas acçóes inspectivas e concluí que no se passa nada. Ou seja, serve somente para que mais uns importantes ou primos de importantes ganhem por mês uns milhares de euros sem que o país ganhe algo com isso.

Agora que o petróleo parece estar com tendência para aumentar de novo vamos ver se na próxima semana os seus derivados não vão logo aumentar. Ou seja, para baixar arrastam-se e só ao fim de um ou dois meses se paga menos uns cêntimos, devido às pressões e indignações manifestadas, mas para subir é enquanto o diabo esfrega o olho.

É o que dá confiar em crocodilos. Quando esquecemos o que faz parte da natureza dos crocodilos e os convidamos para resolverem os nossos problemas acabamos na boca destes a servir de jantar. Os crocodilos agradecem. Não se esqueçam de votar nos crocodilos nas próximas eleições, daqui a um ano. Aí estarão a ser tão cretinos como estes são.

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